Tuesday, May 26, 2009

Fenda da Calcedónia/Trilho do Pastor - 20081011

A 69ª dos Carolas, "cum karago"...
Não há muito a dizer desta caminhada, para além de ter sido a 69.ª do grupo "Os Carolas" e de termos tido, uma vez mais, a simpática presença da Guarda Florestal, leitora atenta do blogue da referida Associação (?!), no início da Caminhada, a tratar de identificar os dois organizadores destes eventos, esses celerados que julgam que o País é todo deles e que podem andar por aqui e por ali com quem lhes apetece, sem passar cavaco às tropas...
Felizmente, os dois Agentes que interpelaram aquele magote de gente foram extremamente correctos e compreensivos e, após cumpridas as devidas formalidades, lá nos deixaram meter as botas ao caminho, informando-nos que os passeios pelo PNPG carecem da autorização do Organismo responsável pela conservação do Parque Nacional... Aprendam Alfredos, aprendam...
Agora, as fotografias.
Para esta Caminhada, decidi levar a Câmara analógica na perspectiva de, posteriormente, mandar digitalizar o rolo com a resolução que me desse na real gana. Terminada a caminhada, portanto, teria de mandar revelar o rolo para que, depois, pudesse passar-se o mesmo para formato digital. Fazer isso na Sempre-ID estava fora de questão, pelas razões apresentadas no passado mês de Junho, pelo que teria de proceder a uma prospecção de mercado para encontrar uma Empresa que me fizesse o serviço de acordo com as minhas indicações. Não encontrei muitas... De facto, a única que encontrei foi a FotoSport, na Rua de Sta. Catarina, na "Imbicta".
Estando assim definidos os dados do problema na Terça-feira seguinte, dia 14, lá me dirigi para o "local do crime".
Estava uma solarenga manhã de Outono, muito agradável, quando, por volta das 09H45, transpus o limiar da porta de entrada da FotoSport, na Rua de Sta. Catarina, na "Imbicta". Silêncio absoluto... Nem vivalma... É sabido que nunca fui grande adepto dos grandes ajuntamentos e que aprecio gozar em sossego os momentos mais sublimes da vida. O problema é que a solidão torna as pessoas mais "filosóficas"... e desconfiadas! Quando me oferecem de mão beijada uma coisa de que gosto muito, o meu primeiro impulso é recuar, parar e pensar. Porquê?! Porque estaria alguém a oferecer-me semelhante Nirvana?! Não tardaria a sabê-lo! Após alguns longos segundos de divagação mental surge do nada uma funcionária da limpeza que começa a espanar o balcão de atendimento e que desaparece de seguida para lado nenhum, sem dizer palavra... Lá passam mais alguns segundos e, quando eu já começava a pensar em dar meia volta e desarvorar dali para fora lá surgiu, finalmente, o funcionário responsável pelo atendimento aos clientes.

(FotoSport) - Bom dia. Em que posso servi-lo?
(Nuno Gonçalves) - Bom dia. Trago aqui este rolo para revelar e desejava que, posteriormente, mo digitalizasse a 3360X2240 (7.53 MP). Disseram-me que a FotoSport fazia esse tipo de serviço...
(FS) - Concerteza. Em que nome é que vai ficar?
(NG) - NG. Só uma pergunta: Quanto é que vocês estão a cobrar pela digitalização de um rolo de 36 fotografias?
(FS) - Aaaaaah... Creio que são cerca de 6,50* Euros por fotograma.
(NG) - POR FOTOGRAMA?! Desculpe, mas deve haver engano! É impossível! Em Junho deste ano, na Sempre-ID, só me cobraram 5.59 Euros pela digitalização a 3360X2240 (7.53 MP) dos 36 fotogramas de um rolo 135.
(FS) - Aaaaaah... Huuuuum... Só um momento, que eu vou ligar para o meu colega para confirmar. (Disse o funcionário enquanto consultava uma tabela de preços. Terminada a conversa telefónica, voltou à carga).
(FS) - O meu colega confirma que, de facto, são 6,50* Euros por fotograma.
(NG) - 6,50* EUROS POR FOTOGRAMA?! (Repeti eu, ainda incrédulo, face a tamanha barbaridade.) Mas, ouça lá, então a digitalização do rolo iria ficar-me quase por 250 Euros*... Por esse preço, eu compro o Scanner Fotográfico HP G4050 (Acabei por comprá-lo por 199,00 Euros em 20081117, no Media Markt do Centro Comercial Porto Plaza).
(FS) - Aaaaaah... Huuuuum... Pois... se calhar... Então pretende fazer só a revelação?
(NG) - Não, obrigado. Vou ver se no Media Markt do Parque Nascente me fazem esse serviço. Muito Bom Dia.

[*NOTA: Já não me recordo muito bem se o valor que me indicaram era "6,50 euros"; do que tenho a certeza é que se tratava de um valor entre 6 e 7 Euros e que o valor final, para os 36 fotogramas, era pouco inferior a 250 Euros...].

E desarvorei pela porta fora.
De facto, uns dias depois (20081022), acabei por ir ao Media Markt do Parque Nascente revelar o rolo. Cobraram-me 0.96 Euros pela revelação do negativo, 3.24 Euros pela revelação digital 10X15 e 3.49 Euros pela gravação para CD a 1895X1272 [2.41 MP], em JPEG sem compressão: os ficheiros ficaram com um tamanho entra 4.5 e 6.6 Mb. E foi nessa altura, face à indisponibilidade para me fazerem as digitalizações dos negativos à resolução que me apetecesse, que decidi comprar o supra-citado Scanner.
Passemos, então, às fotografias:






































Sunday, October 5, 2008

Mezio/Soajo - 20080920

Vilar do Paraíso, dia 20 de Setembro, cinco e um quarto da manhã...
Toca o despertador.
Realizava-se, naquele sábado, mais uma caminhada dos Carolas, desta vez na região de Arcos de Valdevez e na qual eu havia confirmado a minha participação na 6.ª feira imediatamente anterior, ao findar da tarde, em telefonema para o Alfredo Paiva:
- "Vê lá se estás na Âmbar às sete e um quarto, para sairmos às sete e meia."
- "Sim, sim. Às sete e um quarto estou lá. Sem falta!"
Ah! Que soneira! Ainda me faltava, para além do trivial, arrumar a mochila e, principalmente, procurar umas confortabilíssimas meias grossas de cano alto de que nunca costumo separar-me nestas ocasiões...
Hã! Mais uma voltinha... Às cinco e meia deve chegar...
Quando voltei a olhar para o relógio, eram seis horas! Levantei-me a correr, fiz o que tinha a fazer e arranjei-me em tempo recorde (Não. Desta vez o raio das meias não apareceram, apesar dos dez longos e desesperantes minutos que investi na sua busca, pelo que tive de engendrar uma solução de recurso...), o que não impediu que, quando liguei o motor do jipe, fossem sete e meia...
Antevendo mais uma maratona em solitário, voltei a telefonar ao AP a dar conta da ocorrência e dirigi-me à Âmbar para apanhar o Armando e a Patrícia. Mas, quando lá cheguei, ainda não estavam lá todos, pelo que me limitei a aguardar mais um pouco para integrar a Caravana.
Chegados à A. S. de Viana do Castelo, foi com um certo ar de espanto que assinalamos a pressa do AP em desandarmos dali para fora quando mal havíamos (eu, o Armando e a Patrícia) acabado de degustar o cafèzinho (Sim, sim. É um acento grave...) matinal. É costume o pessoal "ficar a pastar" nas Áreas de Serviço ou seus equivalentes "rurais" durante cerca de meia hora e, daquela vez, mal tinham passado quinze minutos... Mas, enfim... é o stress.
Chegados ao Mezio, e depois da palestra habitual e de umas quantas fotografias a um dólmen existente junto ao local onde estacionámos as abóboras, demos início a mais esta caminhada. Às nove e cinquenta e nove em ponto.
A paisagem, desta vez, era espectacular, com dólmens, cavalos e espigueiros a espreitar aqui e ali, e sem a presença irritante das eólicas que, por vezes, nos acompanharam noutras jornadas, mas... onde é que estava o "denso bosque de carvalhos"?! Nem pó! Uns carvalhitos envergonhados aqui e ali... Os únicos sítios onde se podem ver ou, pelo menos, onde eu já vi, "densos bosques de carvalhos", é na região de Montalegre (É famoso, o avelar de Montalegre). Muitos, e densos, bosques de carvalhos que, apesar disso, constituem, apenas e infelizmente, os últimos fragmentos de um vasto carvalhal que, em tempos que já lá vão, cobria todo o Norte de Portugal, contribuindo para uma terra mais rica, quer em termos de solos, quer em termos de espécies animais, incluindo as cinegéticas.
Das 135 fotografias que tirei aproveitaram-se 105, uma das quais com a Rita descaradamente desfocada mas que eu decidi manter por traduzir uma ideia de movimento.
Após o final da caminhada eu, o Armando e a Patrícia resolvemos ir refrescar as goelas num pomposo "cyber café" existente no Soajo, perto do núcleo de espigueiros, ao lado da estrada. E alapamos os traseiros numa mesa perto do quintal do vizinho onde, ao fundo de umas escadas e com o último degrau a fazer de travesseira, repousava um representante da raça canina, com o rabo cortado. "Já viste aquele Dobermann?", pergunta o Armando apontando para o bicho. De facto, tinham cortado ao desgraçado não apenas o rabo, como também lhe tinham "aparado" as orelhas. "É. De facto parece. Mas a cabeça é de Pastor Alemão.", respondi eu, sabendo que a cabeça e o focinho dos Dobermann são bastante mais afilados do que os dos Pastor Alemão. Mas o corpo parecia de Dobermann. Para além disso, isto é, de estarmos a pôr em causa a genealogia daquele descendente dos lobos, íamos tecendo várias considerações àcerca da beleza e do sossego da vida no interior, algo de que até os animais pareciam saber usufruir...
Conversa chata, como já todos devem ter constatado. Tão chata que, passados poucos minutos, o cão levantou-se, olhou para nós com um ar meio esgazeado, resmungando qualquer coisa, um misto de rosnadela e de uivo, de raiva e desespero, e afastou-se uns quantos metros, voltando a deitar-se.
Teve azar! As pessoas acharam muita piada a algo que, na sua óptica canina, não tinha tido qualquer piada... pelo que a conversa continuou, agora subordinada a um novo tema: "O que é que o bicho estaria a pensar? Será que, de facto, estava a sentir-se incomodado por três outros mamíferos estarem a perturbar o seu sagrado descanso?"
Mais uns minutos de conversa e lá voltou ele a levantar-se, pesarosamente, para ir aninhar-se noutro local, desta vez no fundo do quintal, o mais possível afastado de nós, enterrando decididamente a cabeça no meio das patas e fechando os olhos tentando, inutilmente, voltar a passar pelas brasas.
Mas aquele não era, decididamente, um dia de cão. E como não havia meio de nos calarmos, passados mais alguns minutos ele voltou a levantar-se, passou por nós, sem olhar nem dizer coisa alguma, e subiu as escadas em direcção ao primeiro andar.
Não voltamos a vê-lo!
Uma palavra final para as minhas queridas companheiras destes últimos quatro anos de caminhadas, que me seguiram sempre, fielmente, e sem nunca atraiçoarem as minhas expectativas, para o Larouco, para o Gerês, para a Fonte Fria, para as Alturas, para o Barroso, para a Freita... e isto sem contar com as caminhadas que fiz integrado n'Os Carolas, nas quais tenho participado desde 6 Maio de 2006 (Percurso da Água / Ponte de Lima). Pois foi. Depois de cerca de 500 quilómetros de caminhada na minha companhia, as minhas botas, serenamente, "finaram-se". E o meu último desejo para elas é que lá, no Paraíso das Botas, continuem a caminhar eternamente, como sempre gostaram de fazer.
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